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terça-feira, 1 de outubro de 2024

Partícula num poço de potencial

Por um procedimento em tudo semelhante ao que foi apresentado no texto O oscilador harmónico em mecânica quântica, se a dinâmica do sistema mecânico clássico a uma dimensão for descrito pela função

L=TU

então a função de onda pode ser escrita como

φ(x,t)=ψ(x)eiEth

em que ψ(x) satisfaz a equação diferencial

22md2ψdx2+Uψ=Eψ

O caso particular de uma partícula que se encontra num poço de potencial é descrito pela função

U(x)={,x<00,0xa,x>a

Começa-se por considerar o caso particular em que U=k é constante. A equação diferencial assume a forma

d2ψdx2=2m(Ek)2ψ

Trata-se da equação diferencial que descreve o movimento do oscilador harmónico simples clássico. A solução da família de equações diferenciais é dada por

ψ={Ae2m(kE)x+BAe2m(kE)x,k<EA+Bx,k=EAcos2m(Ek)x+Bsin2m(Ek)x,k>E

A solução do problema inicial deverá ser tal que se verifique ψ(x)0 quando |x| de modo que seja normalizável. Ora, se k, ψ(x)=0 é a única solução da equação diferencial que satisfaz o requisito e, portanto, fora do intervalo [0,a], a função de onda anula-se. No interior do intervalo, com k=0, a condição fronteira obtém-se do facto de que a função de onda deve ser contínua em todo o domínio. Então, anulando-se a função fora do intervalo, ψ(0)=ψ(a)=0. Da condição ψ(0)=0 observa-se que

ψ(x)=Bsin2mEx

Por seu turno, ψ(a)=0 conduz à equação

Bsin2mEa=0

cuja solução é dada por

2mEa=nπ

onde n é um número inteiro positivo na medida em que é positiva a quantidade descrita pelo primeiro membro da equação. Atendendo a que

=h2π

tem-se, para os valores da energia,

E=n2h28ma2

e, para solução procurada,

ψ(x)=Bsinnπxa

A constante B resulta do processo de normalização. Com efeito,

+ψ2(x)dx=a0B2sin2nπxadx=1

ou

B2=2a

As soluções estacionárias da equação de onda para o caso do poço de potencial são dadas, portanto, por

φn(x,t)=2asinnπxaein2ht8ma2

A equação de onda independente do tempo para o caso tridimensional com U=0 pode ser escrita na forma

2ψ+2m2Eψ=0

O método da separação das variáveis, escrevendo

ψ(x,y,z)=X(x)Y(y)Z(z)

conduz à equações diferenciais ordinárias

{1XdXdx=kx1YdYdy=ky1ZdZdz=kz

em que

kx+ky+kz=2mE2

Se se considerar o caso em que U=0 no cubo definido pelos vértices (0,0,0) e (a,a,a), e no exterior, os argumentos usados no caso unidimensional permitem concluir que as funções de onda estacionárias se anulam no seu exterior e, no seu interior, vêm dadas por

φ(x,y,z,t)=(2a)3sinnxπxasinnyπyasinnzπzaeih(n2x+n2y+n2z)8ma2

para valores inteiros não negativos de nx, ny e nz, já que as condições de continuidade exigem que a energia seja da forma

E=h28ma2(n2x+n2y+n2z)

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