O dia solar é definido como o tempo decorrido entre duas
transições consecutivas do Sol sobre o mesmo lado do meridiano do lugar relativamente ao horizonte.
Define-se o início do dia quando o Sol passa sobre o meridiano perto do nadir.
O meio-dia é atingido, portanto, quando a passagem pelo meridiano se verifica
perto do zénite.
O dia natural corresponde ao período em que o Sol se encontra acima do
horizonte. Durante a noite, por seu turno, o Sol encontra-se abaixo do
horizonte e não pode ser observado a partir do lugar. Já foi atrás referido
que, na esfera recta, a duração dos dias iguala a duração das noites. No caso
da esfera oblíqua, tal acontece apenas quando o Sol se encontra em um dos
equinócios. Pretende-se, portando, dada a declinação δ do Sol, de onde se pode
obter a sua posição na eclíptica, determinar a duração do dia e da noite.
Para o efeito, considere-se um referencial no centro
da esfera celeste cujo eixo das abcissas toma a direcção da intersecção
do equador com o meridiano. A direcção das
ordenadas é definida pelos pontos A e B da intersecção do horizonte com o equador. O
eixo das cotas tem a direcção dos polos celestes.
O
círculo FCD representa a órbita solar aparente onde a
declinação
é dada pelo ângulo EOF.
Note-se que este ângulo não varia quando se considera uma rotação do
referencial em torno do eixo das cotas. A equação do plano da órbita é dada por
z=sinδ
considerando
que a esfera celeste tem raio unitário. A equação do plano do horizonte é da
forma
xcosφ+zsinφ=0
onde φ é a latitude do lugar. A intersecção do plano
do horizonte com o plano da órbita aparente resulta na recta
{x=−tanφsinδz=sinδ
A intersecção da recta com a esfera celeste x2+y2+z2=1, considerada como tendo raio unitário, proporciona, em geral, dois pontos C e D com coordenadas
{x=−tanφsinδy=±cosδ√1−tan2φtan2δz=sinδ
Resta determinar o valor do arco FC. Ora, o ponto F tem coordenadas (cosδ,0,sinδ) e o centro da órbita aparente é o ponto de coordenadas (0,0,sinδ). Pretende-se, portanto, determinar o ângulo compreendido entre os vectores
(−tanφsinδ,cosδ√1−tan2φtan2δ,0)
e
(cosδ,0,sinδ)
Denotando esse ângulo por ψ, a fórmula do produto escalar permite obter
cosψ=−tanφtanδ
O
ângulo total que o Sol se encontra acima do horizonte calcula-se como
{2arccos(−tanφtanδ),|π2−|δ||≤|φ|≤|π2+|δ||0,|φ|>π2+δ2π,|φ|>π2−δ
É claro da fórmula que o ângulo correspondente ao arco da órbita solar
visível é sempre igual a π no equador independentemente do valor da declinação δ . Por outro lado,
como |δ|≤ε , torna-se evidente
que o arco da órbita solar corresponde à volta completa ou é nulo se o lugar em
questão se encontrar no interior dos círculos polares. Sendo a velocidade de
transição igual a π/12 radianos por hora, a duração do dia vale
t=12πψ
dado
em horas equinociais.
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