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segunda-feira, 4 de maio de 2020

Duração dos dias e das noites

O dia solar é definido como o tempo decorrido entre duas transições consecutivas do Sol sobre o mesmo lado do meridiano do lugar relativamente ao horizonte. Define-se o início do dia quando o Sol passa sobre o meridiano perto do nadir. O meio-dia é atingido, portanto, quando a passagem pelo meridiano se verifica perto do zénite.
O dia natural corresponde ao período em que o Sol se encontra acima do horizonte. Durante a noite, por seu turno, o Sol encontra-se abaixo do horizonte e não pode ser observado a partir do lugar. Já foi atrás referido que, na esfera recta, a duração dos dias iguala a duração das noites. No caso da esfera oblíqua, tal acontece apenas quando o Sol se encontra em um dos equinócios. Pretende-se, portando, dada a declinação δ do Sol, de onde se pode obter a sua posição na eclíptica, determinar a duração do dia e da noite.
Para o efeito, considere-se um referencial no centro da esfera celeste cujo eixo das abcissas toma a direcção da intersecção  do equador com o meridiano. A direcção das ordenadas é definida pelos pontos A e B da intersecção do horizonte com o equador. O eixo das cotas tem a direcção dos polos celestes.
O círculo FCD representa a órbita solar aparente onde a declinação  é dada pelo ângulo EOF. Note-se que este ângulo não varia quando se considera uma rotação do referencial em torno do eixo das cotas. A equação do plano da órbita é dada por
z=sinδ
considerando que a esfera celeste tem raio unitário. A equação do plano do horizonte é da forma
xcosφ+zsinφ=0
onde φ é a latitude do lugar. A intersecção do plano do horizonte com o plano da órbita aparente resulta na recta
{x=tanφsinδz=sinδ
A intersecção da recta com a esfera celeste x2+y2+z2=1, considerada como tendo raio unitário, proporciona, em geral, dois pontos C e D com coordenadas
{x=tanφsinδy=±cosδ1tan2φtan2δz=sinδ
Resta determinar o valor do arco FC. Ora, o ponto F tem coordenadas (cosδ,0,sinδ) e o centro da órbita aparente é o ponto de coordenadas (0,0,sinδ). Pretende-se, portanto, determinar o ângulo compreendido entre os vectores
(tanφsinδ,cosδ1tan2φtan2δ,0)
e
(cosδ,0,sinδ)
Denotando esse ângulo por ψ, a fórmula do produto escalar permite obter
cosψ=tanφtanδ
O ângulo total que o Sol se encontra acima do horizonte calcula-se como
{2arccos(tanφtanδ),|π2|δ|||φ||π2+|δ||0,|φ|>π2+δ2π,|φ|>π2δ
É claro da fórmula que o ângulo correspondente ao arco da órbita solar visível é sempre igual a π no equador independentemente do valor da declinação δ. Por outro lado, como |δ|ε, torna-se evidente que o arco da órbita solar corresponde à volta completa ou é nulo se o lugar em questão se encontrar no interior dos círculos polares. Sendo a velocidade de transição igual a π/12 radianos por hora, a duração do dia vale
t=12πψ
dado em horas equinociais.

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